Seu filho vai se casar com um robô...
Bem-vindo ao futuro! Troque o drama dos relacionamentos reais por parceiros robóticos que nunca te frustram e uma realidade virtual que é pura perfeição. Quem precisa de toque humano quando você pode ter circuitos, pixels e o botão de desligar? E você preocupado com seu filho transgênero... seu filho vai é gostar de robôs.
SEXO
7/28/20244 min read


Em 2019, assisti a uma minissérie foda chamada "Years and Years," uma colaboração entre HBO e BBC. Bethany, uma personagem da série, se identifica como "trans humana" e quer se integrar com robôs, e diz que fará uma cirurgia para se tornar parte "máquina". Essa cena, em 2019, começou a me fez pensar sobre a estranha, porém inevitável, fusão de pessoas, sensações e tecnologia. Esse tópico, associado a histórias de pessoas se casando com seus videogames ou robôs, o filme "Ela" com Joaquin Phoenix, e o fato de que trabalho atualmente nessa indústria, me inspirou a explorar mais sobre o assunto e trazer um pouco do que estou pensando para vocês.
Buscamos solução na tecnologia para sexo já faz tempo...
O sexo e a tecnologia têm uma longa história de colaboração. Desde quando nossos ancestrais usavam pedras e couro para criar brinquedos rudimentares, até a era vitoriana, com a invenção do vibrador para o "tratamento" da histeria feminina, sempre buscamos maneiras de maximizar o prazer. Essa busca é tão velha quanto a própria humanidade, mostrando nossa eterna criatividade e desejo de satisfação.
Tá aí um mercado legal para investir
O mercado de tecnologia sexual, conhecido como "sextech," está em franca expansão. Em 2023, o valor global desse mercado foi estimado em aproximadamente 40 bilhões de dólares, com uma projeção de crescimento para >100 bilhões de dólares até 2030. Isso inclui brinquedos sexuais, aplicativos e até robôs sexuais, com a Ásia e a América do Norte liderando a demanda.
O avanço da tecnologia tem permitido o desenvolvimento de produtos inovadores. Por exemplo, brinquedos sexuais inteligentes podem ser controlados via smartphone, oferecer experiências interativas e até sincronizar com conteúdo digital, mimetizando os movimentos realizados em vídeos, proporcionando uma experiência quase real. Além disso, o uso de inteligência artificial está sendo explorado para criar parceiros robóticos com "que" se pode interagir de forma mais customizável. O segredo para a entrega de uma sensação prazerosa está nos sistemas háticos, que permitem que os usuários interajam com dispositivos eletrônicos de forma mais engajante e realista, utilizando a sensação tátil e a força. Masturbadores, como os produzidos pelas empresas Lovense e Kiiroo, estão se tornando cada vez mais sofisticados, com opções de personalização e interação baseadas em IA.
Além disso, a pandemia de COVID-19 acelerou a demanda por esses produtos, especialmente em tempos de distanciamento social. As vendas online de brinquedos sexuais dispararam, com um aumento significativo na procura por dispositivos que permitem interação à distância, como pares de vibradores controlados remotamente, interação paga para artistas usando sex-toys em Live cams e até mesmo integração simultânea para gaming.
O interessante dessa revolução tecnológica é a possibilidade que ela abre para pessoas explorarem e testarem o que gostam ou não, de uma maneira mais íntima e privada, sem o risco de exposição ou de invadir espaços que o parceiros pode achar ainda um "taboo". Há grandes avanços para acessibilidade nesse mercado, promovendo a oportunidade de pessoas com deficiência de poderem praticar a masturbação (você nunca tinha pensado nisso, né?!). Além disso, não é como se as pessoas já não fizessem isso de outras maneiras, ter uma máquina mais elaborada que proporcione uma experiência melhor para masturbação não é de todo ruim.
Se engana quem acha que esse mercado é só para mulheres. Masturbadores masculinos tem ganhado muito espaço, com bonecas sexuais, strokers, simuladores de boquete. Esse mercado está direcionando sua energia para integração com live cams como Stripchat, Chaturbate, dentre outras, para os punheteiros de plantão que querem que a atriz coordene os movimentos da sua máquina à distância e eles possam sentir algo mais "real".
Transar com um robô vai ser melhor do que com um humano?
A pergunta que surge na sequência disso tudo é: o que torna o sexo prazeroso? Bom a resposta pragmática e que vou usar aqui é que a sensação de hormônios liberados no nosso organismo e o estímulo em regiões extremamente sensíveis do nosso corpo é uma parte significativa do que torna transar excitante e tão buscado por nós. Nossos organismos foram desenvolvidos ao longo de milênios para encontrar o estímulo certo para que possamos engajar em relações sexuais e consequentemente procriar garantindo a sobrevivência da espécie.
Agora vamos aos existencialistas de plantão: A resposta mais filosófica pode até ser que a conexão com outro ser humano que você tem carinho e que se importa com você contribui para uma sensação mágica. Mas convenhamos, será que essa não é só mais um taboo que a sociedade tem em relação a mais um avanço tecnológico? Será que assim como as redes sociais que normalizaram as relações à distância, será que o futuro do sexo talvez esteja na tecnologia, e assim poderemos, finalmente desaparecer da terra, como mais uma mutação fracassada, que parou de ter filhos porque achou que um sex-toy era melhor e mais fácil do que transar com outra pessoa?
Talvez eu esteja exagerando e passando um pouco da conta, mas vale a refletir é: fisicamente esses robôs já conseguem replicar os movimentos físicos que fazemos durante o sexo, conseguem captar informações sobre os momentos que tivemos mais ou menos prazer e propor coisas que humanos não conseguem, como durabilidade, intensidade, velocidade, dentre outros. Pessoas com dificuldade de socialização, que se sentem cada vez mais frustrados com as relações para-sociais, intimidadas por um mundo de constante monitoramento e exposição, podem acabar buscando refúgio em uma relação mais simples e fácil, sem os estresse de ter que lidar com outras pessoa que tem seus próprios desejos, restrições e necessidades e que conflitam com as dela.
Vou tratar minha Alexa um pouco melhor depois disso rsrs
Mas relaxa... ainda vai demorar um cadinho mais: embora o crescimento seja promissor, a indústria enfrenta vários desafios, como questões éticas e de privacidade, além de preconceitos sociais e religiosos. A regulamentação ainda é limitada, o que levanta preocupações sobre segurança e consentimento, especialmente no caso de robôs sexuais e outros dispositivos inteligentes.
Agora, a pergunta que vai te tirar o sono: se a tecnologia pode satisfazer nossos desejos de forma tão eficiente, o que isso diz sobre nossa humanidade? Estamos prontos para abandonar a complexidade das relações humanas por conveniência, ou ainda valorizamos a bagunça e imprevisibilidade que vem com o "outro"?
